{"id":5134,"date":"2023-12-24T09:19:00","date_gmt":"2023-12-24T12:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/pscjslz.com.br\/?p=5134"},"modified":"2023-12-21T15:24:26","modified_gmt":"2023-12-21T18:24:26","slug":"santo-do-dia-24-12","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pscjslz.com.br\/?p=5134","title":{"rendered":"Santo do Dia &#8211; 24\/12"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">S\u00e3o Charbel Makhluf<\/h2>\n\n\n\n<p>S\u00e3o Charbel Makhluf foi um eremita liban\u00eas do s\u00e9culo XIX, elevado \u00e0 honra dos altares em 1965 e canonizado no ano de 1977, pelo Papa Paulo VI. O nome Charbel, de origem s\u00edrio-libanesa, significa \u201ca hist\u00f3ria de Deus\u201d e, em portugu\u00eas, pela adapta\u00e7\u00e3o latina, tamb\u00e9m pode ser substitu\u00eddo por Sarb\u00e9lio. Mesmo levando uma vida escondida, este santo monge ficou famoso por seu corpo incorrupto e por seus milagres extraordin\u00e1rios. Pouco depois de sua morte, em 1898, se cumpriria a profecia de seu superior, que, ao assinar a sua breve ata de sepultamento, previu que mais se escreveria a respeito dele depois de morto do que vivo.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, sepultado em uma vala comum, como todos os maronitas, de seu t\u00famulo come\u00e7aram a sair luzes extraordin\u00e1rias, que impressionaram quem vivia pr\u00f3ximo ao cemit\u00e9rio. Aberta a sua cova, todos ficaram maravilhados com o seu corpo, que n\u00e3o s\u00f3 ficara intacto, como come\u00e7ara a transpirar sangue e \u00e1gua \u2014 \u00e0 semelhan\u00e7a de Nosso Senhor, de cujo lado aberto na Cruz tamb\u00e9m jorraram sangue e \u00e1gua (cf. Jo 19, 34). Por 70 anos, o t\u00famulo de S\u00e3o Charbel ficou completamente encharcado, exalando um odor muito agrad\u00e1vel e confirmando a sua santidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nascido Youssef Antoun Makhlouf, em 1828, S\u00e3o Charbel era o quinto de seus irm\u00e3os. \u00d3rf\u00e3o desde crian\u00e7a \u2014 o pai morreu servindo aos soldados otomanos \u2014, o pequeno Jos\u00e9 foi criado por um tio. Mandado para o campo, para cuidar do rebanho da fam\u00edlia, o menino passava o tempo em uma gruta, na qual se recolhia para rezar. O lugar, chamado ironicamente por seus colegas de \u201ca gruta do santo\u201d, acabou por cumprir profeticamente o seu destino. Com 23 anos, Jos\u00e9 enfrenta a resist\u00eancia da fam\u00edlia \u2014 de sua m\u00e3e, que lhe era muito apegada, e de seu tio, que necessitava de bra\u00e7os para o campo \u2014 e sai escondido de casa, decidido e disposto a fazer-se monge.<\/p>\n\n\n\n<p>No mosteiro, em seu primeiro ano de noviciado, o rapaz v\u00ea-se em uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil. \u00c0 \u00e9poca, o L\u00edbano trabalhava arduamente na exporta\u00e7\u00e3o de seda e os monges do lugar em que ele estava tinham muito contato com os camponeses da regi\u00e3o, pois os ajudavam na produ\u00e7\u00e3o da fibra. Trabalhando em sua ocupa\u00e7\u00e3o, o irm\u00e3o Charbel atrai o olhar de uma mo\u00e7a, que o tenta seduzir, jogando nele alguns bichos-da-seda. Ignorando a jovem, ele se retira dali e, na mesma noite, foge do mosteiro, que estava sendo ocasi\u00e3o de perigo para a sua alma.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no mosteiro de S\u00e3o Maron de Annaya, o irm\u00e3o Charbel come\u00e7a o seu segundo ano de noviciado, quando sua m\u00e3e, Br\u00edgida, decide visit\u00e1-lo. Em uma atitude que pode parecer dura, Charbel escolhe n\u00e3o ver sua m\u00e3e, limitando-se a conversar com ela atr\u00e1s da porta. Instado para mostrar-lhe o rosto, ele responde, resolutamente: \u201cN\u00f3s nos veremos no C\u00e9u\u201d. Para entender o ato de S\u00e3o Charbel, \u00e9 preciso lembrar a sua op\u00e7\u00e3o radical pela vida mon\u00e1stica reclusa. Ele estava convencido de que um monge que mantinha contato com seus parentes depois da profiss\u00e3o de seus votos deveria recome\u00e7ar o noviciado.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma li\u00e7\u00e3o valiosa que esse acontecimento ensina \u00e9 a do amor verdadeiro aos pais, que tem como finalidade a sua salva\u00e7\u00e3o eterna. S\u00e3o M\u00e1ximo, o Confessor, ensina (cf. Cent\u00farias sobre a caridade, II, 9) que existem cinco tipos de amor, sendo tr\u00eas \u201cpassionais\u201d, um \u201cindiferente\u201d e outro \u201clouv\u00e1vel\u201d: os tr\u00eas primeiros s\u00e3o aquele buscado por puro prazer, outro baseado no \u201cter\u201d e outro ainda, na vaidade; o amor neutro \u00e9 aquele natural, \u201ccomo os pais que amam os filhos e vice-versa\u201d; o quinto, por fim, \u00e9 o amor por Deus, que deve informar todas as virtudes e tamb\u00e9m afei\u00e7\u00f5es naturais (cf. STh II-II 23 8c.), inclusive aos pais e filhos. Porque, se \u00e9 verdade que o amor \u201cpor natureza\u201d \u00e9 \u201cindiferente\u201d, pode tamb\u00e9m desembocar em um apego desordenado. O amor verdadeiro, ao contr\u00e1rio, deseja o C\u00e9u para o outro, assim como S\u00e3o Charbel desejou para sua m\u00e3e e assim como Santa Teresinha do Menino Jesus, que, tendo aprendido sobre as belezas do C\u00e9u, pediu para Deus que sua m\u00e3e morresse logo, para que ela se encontrasse com Ele.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, o desapego dos pais e a promessa de recompensa de Charbel \u00e0 sua m\u00e3e \u2014 \u201cN\u00f3s nos veremos no C\u00e9u\u201d \u2014 s\u00e3o realidades que ecoam do pr\u00f3prio Evangelho: \u201cQuem ama pai ou m\u00e3e mais do que a mim, n\u00e3o \u00e9 digno de mim\u201d (Mt 10, 37); \u201cTodo aquele que tiver deixado casas, irm\u00e3os, irm\u00e3s, pai, m\u00e3e, filhos ou campos, por causa do meu nome, receber\u00e1 cem vezes mais e ter\u00e1 como heran\u00e7a a vida eterna\u201d (Mt 19, 29).<\/p>\n\n\n\n<p>Na vida em comunidade, Charbel tornou-se um not\u00e1vel modelo de submiss\u00e3o e abnega\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vontade. Quando o superior pedia a seus confrades uma obedi\u00eancia severa, os seus companheiros retrucavam, jocosamente: \u201cPensa o senhor, por acaso, que sou o irm\u00e3o Charbel?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Por decis\u00e3o do superior e de seus confrades, foi admitido \u00e0s sagradas Ordens e, ap\u00f3s cumprir os estudos, recebeu a ordena\u00e7\u00e3o presbiteral em 1859.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7a, ent\u00e3o, um novo cap\u00edtulo de sua vida: o agora padre Charbel que se preparava com piedade, devo\u00e7\u00e3o e muito zelo para a celebra\u00e7\u00e3o da Santa Missa. Ele, que era um homem extremamente despojado, tinha pe\u00e7as de vestu\u00e1rio e sapatos que usava especificamente para se encontrar com Nosso Senhor no culto eucar\u00edstico:<\/p>\n\n\n\n<p>Charbel celebrava o Santo Sacrif\u00edcio com a m\u00e1xima dignidade e com uma f\u00e9 t\u00e3o viva, que, com frequ\u00eancia, durante a Consagra\u00e7\u00e3o, as l\u00e1grimas corriam-lhe dos olhos escuros e profundos, os quais eram como duas janelas abertas para o C\u00e9u. E, na contempla\u00e7\u00e3o, ficava de tal modo absorto que n\u00e3o prestava aten\u00e7\u00e3o alguma a eventuais ru\u00eddos ou rumores.<br>Certa vez, durante a sagrada Liturgia, um ac\u00f3lito viu que o santo chorava durante a consagra\u00e7\u00e3o e que algumas l\u00e1grimas ca\u00edam no corporal. \u00c0 hora da purifica\u00e7\u00e3o dos objetos sagrados, aquele corporal molhado foi causa de grande inquieta\u00e7\u00e3o para Charbel, que pensou que havia deixado cair o Precios\u00edssimo Sangue de Cristo. Preocupado, o padre apresentou o corporal ao seu superior, pedindo perd\u00e3o por aquilo que pensara ser um ato de neglig\u00eancia sua.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante muitos anos, o padre Charbel permaneceu no seio da comunidade mon\u00e1stica, mas, em seu cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o havia morrido o desejo de tornar-se eremita, vivendo completamente afastado do mundo e dedicando-se inteiramente a Deus. O seu anseio, no entanto, era sempre negado por seus superiores.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 que, um dia, tendo voltado tarde de seu trabalho no campo, ele pediu ao irm\u00e3o despenseiro \u2014 que guarda os mantimentos do mosteiro e os distribui aos confrades \u2014 que pusesse \u00f3leo em sua lamparina, a fim de rezar o Of\u00edcio em sua cela. O monge, reprovando Charbel por n\u00e3o chegar mais cedo, deixou-o, por penit\u00eancia, sem \u00f3leo. O monge, ent\u00e3o, retirou-se obedientemente para o seu quarto. Um confrade mais jovem se ofereceu para ajudar S\u00e3o Charbel, mas, por brincadeira, colocou \u00e1gua em sua lamparina, ao inv\u00e9s de \u00f3leo. Milagrosamente, todavia, a lamparina se acendeu e Charbel p\u00f4de rezar o seu Of\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Vendo esse milagre, o seu superior se convenceu de que o Senhor realmente o chamava para a vida erem\u00edtica. Permaneceu, ent\u00e3o, recolhido no eremit\u00e9rio de S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo, at\u00e9 o fim de sua vida. Foi durante este per\u00edodo, nos intervalos em que trabalhava nas aldeias vizinhas, que se espalhou na regi\u00e3o a sua fama de taumaturgo.<\/p>\n\n\n\n<p>Impressionante era a sua concentra\u00e7\u00e3o nos momentos de ora\u00e7\u00e3o, que pode ser ilustrada com a hist\u00f3ria seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p>Num dia de tempestade, um raio derrubou parte da ala meridional da ermida, deitou por terra uma parede da vinha e queimou, na capela, as toalhas do altar, enquanto o santo monge ali se encontrava, em ora\u00e7\u00e3o. Dois ermit\u00e3es acorreram ao local, e o viram na mais apaziguante tranquilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Padre Charbel, por que n\u00e3o se moveu para apagar o fogo?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Caro irm\u00e3o, como poderia faz\u00ea-lo? Pois logo depois de atear-se, o fogo se extinguiu\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, como o inc\u00eandio fora rapid\u00edssimo, ele julgara mais importante continuar sua ora\u00e7\u00e3o, sem se perturbar.<br>No dia 16 de dezembro, enquanto celebrava o santo Sacrif\u00edcio da Missa, o padre Charbel come\u00e7ou a passar mal. Tendo agonizado por oito dias, este santo monge entregou a sua vida a Deus oito dias depois, exatamente na vig\u00edlia de Natal.<\/p>\n\n\n\n<p>A sua vida extraordin\u00e1ria nos incita, sobretudo, \u00e0 ren\u00fancia do mundo e ao cultivo da vida espiritual, baseada principalmente na devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Sant\u00edssima Virgem e \u00e0 Sant\u00edssima Eucaristia. A S\u00e3o Charbel Makhlouf se aplicam com perfei\u00e7\u00e3o as palavras do salmista: \u201cJustus ut palma florebit, sicut cedrus Libani multiplicabitur \u2014 O justo crescer\u00e1 como a palmeira, como o cedro do L\u00edbano se elevar\u00e1\u201d (Sl 91, 13).<\/p>\n\n\n\n<p>fonte: padrepauloricardo.org<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Charbel Makhluf S\u00e3o Charbel Makhluf foi um eremita liban\u00eas do s\u00e9culo XIX, elevado \u00e0 honra dos altares em 1965 e canonizado no ano de 1977, pelo Papa Paulo VI. O nome Charbel, de origem s\u00edrio-libanesa, significa \u201ca hist\u00f3ria de Deus\u201d e, em portugu\u00eas, pela adapta\u00e7\u00e3o latina, tamb\u00e9m pode ser substitu\u00eddo por Sarb\u00e9lio. Mesmo levando uma vida escondida, este santo monge ficou famoso por seu corpo incorrupto e por seus milagres extraordin\u00e1rios. Pouco depois de sua morte, em 1898, se cumpriria a profecia de seu superior, que, ao assinar a sua breve ata de sepultamento, previu que mais se escreveria a respeito dele depois de morto do que vivo. De fato, sepultado em uma vala comum, como todos os maronitas, de seu t\u00famulo come\u00e7aram a sair luzes extraordin\u00e1rias, que impressionaram quem vivia pr\u00f3ximo ao cemit\u00e9rio. Aberta a sua cova, todos ficaram maravilhados com o seu corpo, que n\u00e3o s\u00f3 ficara intacto, como come\u00e7ara a transpirar sangue e \u00e1gua \u2014 \u00e0 semelhan\u00e7a de Nosso Senhor, de cujo lado aberto na Cruz tamb\u00e9m jorraram sangue e \u00e1gua (cf. Jo 19, 34). Por 70 anos, o t\u00famulo de S\u00e3o Charbel ficou completamente encharcado, exalando um odor muito agrad\u00e1vel e confirmando a sua santidade. Nascido Youssef Antoun Makhlouf, em 1828, S\u00e3o Charbel era o quinto de seus irm\u00e3os. \u00d3rf\u00e3o desde crian\u00e7a \u2014 o pai morreu servindo aos soldados otomanos \u2014, o pequeno Jos\u00e9 foi criado por um tio. Mandado para o campo, para cuidar do rebanho da fam\u00edlia, o menino passava o tempo em uma gruta, na qual se recolhia para rezar. O lugar, chamado ironicamente por seus colegas de \u201ca gruta do santo\u201d, acabou por cumprir profeticamente o seu destino. Com 23 anos, Jos\u00e9 enfrenta a resist\u00eancia da fam\u00edlia \u2014 de sua m\u00e3e, que lhe era muito apegada, e de seu tio, que necessitava de bra\u00e7os para o campo \u2014 e sai escondido de casa, decidido e disposto a fazer-se monge. No mosteiro, em seu primeiro ano de noviciado, o rapaz v\u00ea-se em uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil. \u00c0 \u00e9poca, o L\u00edbano trabalhava arduamente na exporta\u00e7\u00e3o de seda e os monges do lugar em que ele estava tinham muito contato com os camponeses da regi\u00e3o, pois os ajudavam na produ\u00e7\u00e3o da fibra. Trabalhando em sua ocupa\u00e7\u00e3o, o irm\u00e3o Charbel atrai o olhar de uma mo\u00e7a, que o tenta seduzir, jogando nele alguns bichos-da-seda. Ignorando a jovem, ele se retira dali e, na mesma noite, foge do mosteiro, que estava sendo ocasi\u00e3o de perigo para a sua alma. J\u00e1 no mosteiro de S\u00e3o Maron de Annaya, o irm\u00e3o Charbel come\u00e7a o seu segundo ano de noviciado, quando sua m\u00e3e, Br\u00edgida, decide visit\u00e1-lo. Em uma atitude que pode parecer dura, Charbel escolhe n\u00e3o ver sua m\u00e3e, limitando-se a conversar com ela atr\u00e1s da porta. Instado para mostrar-lhe o rosto, ele responde, resolutamente: \u201cN\u00f3s nos veremos no C\u00e9u\u201d. Para entender o ato de S\u00e3o Charbel, \u00e9 preciso lembrar a sua op\u00e7\u00e3o radical pela vida mon\u00e1stica reclusa. Ele estava convencido de que um monge que mantinha contato com seus parentes depois da profiss\u00e3o de seus votos deveria recome\u00e7ar o noviciado. Uma li\u00e7\u00e3o valiosa que esse acontecimento ensina \u00e9 a do amor verdadeiro aos pais, que tem como finalidade a sua salva\u00e7\u00e3o eterna. S\u00e3o M\u00e1ximo, o Confessor, ensina (cf. Cent\u00farias sobre a caridade, II, 9) que existem cinco tipos de amor, sendo tr\u00eas \u201cpassionais\u201d, um \u201cindiferente\u201d e outro \u201clouv\u00e1vel\u201d: os tr\u00eas primeiros s\u00e3o aquele buscado por puro prazer, outro baseado no \u201cter\u201d e outro ainda, na vaidade; o amor neutro \u00e9 aquele natural, \u201ccomo os pais que amam os filhos e vice-versa\u201d; o quinto, por fim, \u00e9 o amor por Deus, que deve informar todas as virtudes e tamb\u00e9m afei\u00e7\u00f5es naturais (cf. STh II-II 23 8c.), inclusive aos pais e filhos. Porque, se \u00e9 verdade que o amor \u201cpor natureza\u201d \u00e9 \u201cindiferente\u201d, pode tamb\u00e9m desembocar em um apego desordenado. O amor verdadeiro, ao contr\u00e1rio, deseja o C\u00e9u para o outro, assim como S\u00e3o Charbel desejou para sua m\u00e3e e assim como Santa Teresinha do Menino Jesus, que, tendo aprendido sobre as belezas do C\u00e9u, pediu para Deus que sua m\u00e3e morresse logo, para que ela se encontrasse com Ele. De fato, o desapego dos pais e a promessa de recompensa de Charbel \u00e0 sua m\u00e3e \u2014 \u201cN\u00f3s nos veremos no C\u00e9u\u201d \u2014 s\u00e3o realidades que ecoam do pr\u00f3prio Evangelho: \u201cQuem ama pai ou m\u00e3e mais do que a mim, n\u00e3o \u00e9 digno de mim\u201d (Mt 10, 37); \u201cTodo aquele que tiver deixado casas, irm\u00e3os, irm\u00e3s, pai, m\u00e3e, filhos ou campos, por causa do meu nome, receber\u00e1 cem vezes mais e ter\u00e1 como heran\u00e7a a vida eterna\u201d (Mt 19, 29). Na vida em comunidade, Charbel tornou-se um not\u00e1vel modelo de submiss\u00e3o e abnega\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vontade. Quando o superior pedia a seus confrades uma obedi\u00eancia severa, os seus companheiros retrucavam, jocosamente: \u201cPensa o senhor, por acaso, que sou o irm\u00e3o Charbel?\u201d Por decis\u00e3o do superior e de seus confrades, foi admitido \u00e0s sagradas Ordens e, ap\u00f3s cumprir os estudos, recebeu a ordena\u00e7\u00e3o presbiteral em 1859. Come\u00e7a, ent\u00e3o, um novo cap\u00edtulo de sua vida: o agora padre Charbel que se preparava com piedade, devo\u00e7\u00e3o e muito zelo para a celebra\u00e7\u00e3o da Santa Missa. Ele, que era um homem extremamente despojado, tinha pe\u00e7as de vestu\u00e1rio e sapatos que usava especificamente para se encontrar com Nosso Senhor no culto eucar\u00edstico: Charbel celebrava o Santo Sacrif\u00edcio com a m\u00e1xima dignidade e com uma f\u00e9 t\u00e3o viva, que, com frequ\u00eancia, durante a Consagra\u00e7\u00e3o, as l\u00e1grimas corriam-lhe dos olhos escuros e profundos, os quais eram como duas janelas abertas para o C\u00e9u. E, na contempla\u00e7\u00e3o, ficava de tal modo absorto que n\u00e3o prestava aten\u00e7\u00e3o alguma a eventuais ru\u00eddos ou rumores.Certa vez, durante a sagrada Liturgia, um ac\u00f3lito viu que o santo chorava durante a consagra\u00e7\u00e3o e que algumas l\u00e1grimas ca\u00edam no corporal. \u00c0 hora da purifica\u00e7\u00e3o dos objetos sagrados, aquele corporal molhado foi causa de grande inquieta\u00e7\u00e3o para Charbel, que pensou que havia deixado cair o Precios\u00edssimo Sangue de Cristo. 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