{"id":4419,"date":"2023-11-09T08:31:43","date_gmt":"2023-11-09T11:31:43","guid":{"rendered":"http:\/\/pscjslz.com.br\/?p=4419"},"modified":"2023-11-10T08:32:57","modified_gmt":"2023-11-10T11:32:57","slug":"santo-do-dia-09-11","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pscjslz.com.br\/?p=4419","title":{"rendered":"Santo do dia &#8211; 09\/11"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">S\u00e3o Teodoro: um m\u00e1rtir increpador<\/h2>\n\n\n\n<p>Descendente de uma fam\u00edlia nobre e rica, o jovem Teodoro cheio de garbo desafia o magistrado, proclama a caducidade dos \u00eddolos, a vacuidade do Imperador, a nulidade do Imp\u00e9rio. Foi torturado barbaramente e queimado vivo. Assim como o sangue de Abel, vertido por Caim, clamava a Deus por vingan\u00e7a, o sangue dos m\u00e1rtires implorava a Deus a puni\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, a convers\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano.<\/p>\n\n\n\n<p>Proponho que assistamos juntos a um epis\u00f3dio hist\u00f3rico. N\u00e3o \u00e9 um filme de televis\u00e3o, mas a descri\u00e7\u00e3o de um fato digno de ser lembrado na Hist\u00f3ria da Igreja, contado circunstanciadamente n\u00e3o por mim; vou apenas ler a narra\u00e7\u00e3o tirada da obra do Padre Rohrbacher(1).<\/p>\n\n\n\n<p>O Imp\u00e9rio Romano deca\u00eda devido \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o moral<br>Trata-se do mart\u00edrio de S\u00e3o Teodoro. Ele foi denunciado como cat\u00f3lico e, convocado por um magistrado qualquer, recusou-se a abjurar a F\u00e9. Foi levado, ent\u00e3o, a um lugar de supl\u00edcio onde ele poderia, a qualquer momento, fazer cessar os seus tormentos desde que se dispusesse a renunciar a F\u00e9. Aguentou esses tormentos crudel\u00edssimos at\u00e9 a morte. \u00c9 um m\u00e1rtir.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma nota particularmente interessante nesse mart\u00edrio \u00e9 que o juiz e ele travam uma verdadeira batalha psicol\u00f3gica, na qual o magistrado procura de todos os modos amolec\u00ea-lo para evitar martiriz\u00e1-lo. S\u00e3o Teodoro resiste, desafiando o juiz cada vez mais. O fato foi not\u00f3rio, conhecido e presenciado por muita gente.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s devemos nos perguntar qual \u00e9 o efeito disso sobre a opini\u00e3o p\u00fablica correspondente ao Imp\u00e9rio Romano que abrangeu toda a bacia do Mediterr\u00e2neo. Os romanos se estendiam n\u00e3o s\u00f3 pelo litoral, mas eram senhores das na\u00e7\u00f5es ribeirinhas do Mediterr\u00e2neo. Aprofundando-se, portanto, longamente pelo territ\u00f3rio da \u00c1frica, \u00c1sia, Europa, e constituindo, portanto, uma unidade impressionante.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse Imp\u00e9rio, pela imensa extens\u00e3o e pela dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o naquele tempo, fragmentou-se em dois: o do Oriente e o do Ocidente. Mas entendia-se que formava um s\u00f3 todo moral e at\u00e9 mesmo pol\u00edtico, e que os imperadores, sem serem irm\u00e3os pelo sangue, o eram pela miss\u00e3o e deveriam governar em m\u00fatua colabora\u00e7\u00e3o, cada qual a sua parte do Imp\u00e9rio. Uma unidade, portanto, enorme, majestosa.<\/p>\n\n\n\n<p>O Imp\u00e9rio Romano foi monumental e riqu\u00edssimo, mas tamb\u00e9m corrupt\u00edssimo. \u00c0 medida que se desenrolava sua hist\u00f3ria, seu poder e sua riqueza foram crescendo, por\u00e9m foi se dissolvendo moralmente e terminou na corrup\u00e7\u00e3o moral mais espantosa, acumulando dois aspectos diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>De um lado, os romanos propriamente ditos, n\u00e3o s\u00f3 os habitantes de Roma, mas da It\u00e1lia, que constitu\u00edam o n\u00facleo do Imp\u00e9rio. Estes sentiam-se muito seguros e est\u00e1veis em fun\u00e7\u00e3o do poder e da riqueza que possu\u00edam, e pelo fato de que os inimigos estavam longe, em fronteiras que dificilmente seriam transpostas por eles; e se as transpusessem seriam contidos com facilidade pelas legi\u00f5es romanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da prosperidade e da seguran\u00e7a por verem o perigo bem longe, contribu\u00eda para a dissolu\u00e7\u00e3o dos costumes o fato de que a religi\u00e3o dos romanos n\u00e3o dava o m\u00ednimo fundamento para uma atitude moralizada. Resultado: o Imp\u00e9rio foi se corrompendo at\u00e9 chegar a toda esp\u00e9cie de imoralidade e deteriora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A Religi\u00e3o Cat\u00f3lica se desenvolvia<br>Ao lado dessa deprava\u00e7\u00e3o generalizada havia a Religi\u00e3o Cat\u00f3lica que, do fundo das catacumbas, nascia e se desenvolvia, apresentando-lhes o oposto.<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos, ent\u00e3o, o jovem Teodoro, nascido na Gr\u00e9cia, de uma fam\u00edlia nobre e rica, julgado por um juiz daquela regi\u00e3o, o qual estava, portanto, sob a influ\u00eancia dessa fam\u00edlia. Esse jovem cheio de garbo desafia o magistrado e proclama a caducidade dos \u00eddolos, a vacuidade do Imperador, a nulidade do Imp\u00e9rio, com uma for\u00e7a que vai crescendo \u00e0 medida que o juiz oferece mais.<\/p>\n\n\n\n<p>D\u00e1-se, ent\u00e3o, um debate entre o juiz \u2013 que visa despertar no jovem o desejo pela vida c\u00f4moda e agrad\u00e1vel, sem o conseguir \u2013 e S\u00e3o Teodoro, que procura comunicar a F\u00e9 Cat\u00f3lica proclamando as virtudes crist\u00e3s e o nome de Jesus Cristo, levando as verdades da F\u00e9 t\u00e3o alto quanto se pode levar um estandarte; e o juiz recusando tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>A recusa de ambas as partes resulta em choque, que culmina com a morte do jovem Teodoro. Dir-se-ia que o fato est\u00e1 encerrado. Ora, a hist\u00f3ria come\u00e7a a\u00ed. No C\u00e9u h\u00e1 um m\u00e1rtir rezando, enquanto na Terra os frutos de seu sangue se difundem.<\/p>\n\n\n\n<p>Tertuliano disse aquela famosa frase: \u201cO sangue dos m\u00e1rtires \u00e9 semente de crist\u00e3os.\u201d Assim como o sangue de Abel, vertido por Caim, clamava a Deus por vingan\u00e7a, o sangue dos m\u00e1rtires implorava a Deus pela puni\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, pela convers\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano. E o sangue de S\u00e3o Teodoro passou a clamar.<\/p>\n\n\n\n<p>Houve uma opini\u00e3o p\u00fablica que em parte presenciou, em parte tomou conhecimento desse mart\u00edrio. Que atitude ter\u00e3o tomado aquelas pessoas diante dos di\u00e1logos impressionantes que vamos ler? Imaginem aqueles romanos que faziam festa quase todas as noites, comendo e bebendo durante horas, chegando ao extremo horror de provocar-se n\u00e1usea, pela a\u00e7\u00e3o de escravos que vinham com penas de pato co\u00e7ar o paladar, para lan\u00e7ar fora o que haviam ingerido e, esvaziando assim o est\u00f4mago, poderem continuar a beber e a comer.<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos nos perguntar qual o efeito produzido nessa opini\u00e3o p\u00fablica pelo di\u00e1logo entre S\u00e3o Teodoro e seus algozes.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o Teodoro proclama a sua F\u00e9 e investe contra o inimigo de Cristo<br>Passemos \u00e0 leitura e coment\u00e1rio da referida ficha.<\/p>\n\n\n\n<p>A persegui\u00e7\u00e3o se deu pouco depois de que os Imperadores Gal\u00e9rio e Maximino publicaram seus editos, que mandavam continuar as persegui\u00e7\u00f5es aos cat\u00f3licos, ordenadas por Diocleciano.<\/p>\n\n\n\n<p>Diocleciano ordenou uma das piores e mais longas persegui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O jovem soldado, muito longe de dissimular a sua F\u00e9, a trazia como que escrita sobre a fronte.<\/p>\n\n\n\n<p>Imaginemos, ent\u00e3o, um legion\u00e1rio romano com aquela armadura e elmo caracter\u00edsticos, e que trazia sobre a fronte como que escrita a F\u00e9 em Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo visto por um folgaz\u00e3o que se embriagou na v\u00e9spera e se embriagar\u00e1 naquela noite, e que para encher tempo vai assistir ao mart\u00edrio e olha para aquilo aviltado e com o olhar emba\u00e7ado pelo \u00e1lcool.<\/p>\n\n\n\n<p>Teodoro foi apresentado ao Tribuno da Legi\u00e3o e ao Governador da prov\u00edncia, que lhe perguntaram por que ele n\u00e3o adorava os deuses, segundo as ordens dos imperadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele respondeu: \u201cSou soldado de Jesus Cristo, meu Rei. Eu n\u00e3o conhe\u00e7o outros deuses; meu Deus \u00e9 Jesus Cristo Filho \u00fanico de Deus\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 uma proclama\u00e7\u00e3o. Agora vem a increpa\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o se limita a proclamar a sua F\u00e9, mas investe contra o outro, dizendo:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs deuses que quereis que eu adore n\u00e3o s\u00e3o deuses, mas dem\u00f4nios! Quem quer que lhes atribua honras divinas est\u00e1 no erro: eis qual \u00e9 a minha Religi\u00e3o, aquela por cuja F\u00e9 estou disposto a sofrer. Se minhas palavras vos chocam, golpeai, rasgai, queimai, cortai a l\u00edngua; \u00e9 justo que os meus membros sofram pelo Criador.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Esta ap\u00f3strofe tem todas as caracter\u00edsticas de desafio e \u00e9 met\u00f3dica. Ele proclama a sua F\u00e9, depois diz que a f\u00e9 dos outros n\u00e3o vale nada, e desafia: \u201cAgora, querendo, me martirizem. Eu estou disposto!\u201d Eis o desafio total lan\u00e7ado por um legion\u00e1rio romano!<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos imaginar a repercuss\u00e3o de uma atitude como essa em pessoas incapazes de compreender como \u00e9 que algu\u00e9m, podendo dizer que adora aos \u00eddolos \u2013 n\u00e3o precisava adorar de verdade, bastaria dizer que adora \u2013, se exp\u00f5e a tormentos dos quais elas t\u00eam horror e se prive de divertimentos, quando essa priva\u00e7\u00e3o j\u00e1 lhes parece um tormento.<\/p>\n\n\n\n<p>O Imperador \u00e9 um fragil\u00edssimo pr\u00edncipe, no C\u00e9u h\u00e1 um Rei eterno e imut\u00e1vel<br>Os ju\u00edzes, embara\u00e7ados com uma resposta t\u00e3o ousada, deliberavam sobre o que eles deveriam fazer, quando um oficial, querendo ca\u00e7oar do Santo que tinha dito ser fiel ao Filho de Deus, se p\u00f4s a lhe dizer:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Ent\u00e3o, Teodoro, teu Deus tem um filho? Ele \u00e9 sujeito \u00e0s paix\u00f5es como os homens?<\/p>\n\n\n\n<p>Respondeu Teodoro:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 N\u00e3o, meu Deus n\u00e3o est\u00e1 sujeito a paix\u00f5es. Todavia, Ele tem um Filho, mas um Filho nascido da maneira digna de Deus e bem superior a vossas ideias baixas e carnais, pois esse Filho \u00e9 a palavra de verdade, pela qual Ele fez todas as coisas.<\/p>\n\n\n\n<p>O tribuno lhe perguntou:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Podemos n\u00f3s conhecer esse Filho de Deus?<\/p>\n\n\n\n<p>Ele respondeu:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Eu quereria bem que Deus vos tivesse dado gra\u00e7as para isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, disse o oficial:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Se n\u00f3s o tiv\u00e9ssemos conhecido, n\u00e3o poder\u00edamos abandonar nosso Imperador para dar nossa vida ao seu Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Disse Teodoro:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Se v\u00f3s O conhec\u00easseis, ter\u00edeis em pouco tempo sa\u00eddo de vossas trevas e, em lugar de p\u00f4r uma confian\u00e7a fr\u00e1gil no vosso fragil\u00edssimo pr\u00edncipe na Terra, vos ater\u00edeis a Deus, que \u00e9 o Deus vivo, o Rei e Senhor eterno e v\u00f3s combater\u00edeis comigo em favor d\u2019Ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa increpa\u00e7\u00e3o de que o Imperador \u00e9 um frag\u00edlimo pr\u00edncipe da Terra e que h\u00e1 um Rei no C\u00e9u, eterno e imut\u00e1vel, \u00e9 uma coisa de deixar aquela gente boquiaberta. Porque era gente que tinha uma vaga ideia de uma post-vida, mas t\u00e3o vaga, contradit\u00f3ria e cheia de lendas, que praticamente n\u00e3o funcionava. Eles n\u00e3o tinham sen\u00e3o uma ideia ainda mais vaga, de vez em quando lampejos, de um julgamento segundo leis que ningu\u00e9m sabia como eram.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, vem um que afirma, mas trazendo na fronte uma esp\u00e9cie de prova da verdade da F\u00e9 que ele proclamava; pode-se imaginar o impacto no juiz, no tribuno e na opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Exortava os cat\u00f3licos que eram conduzidos ao mart\u00edrio<br>\u201cDeixemo-lo por alguns dias, disse o tribuno, ele mudar\u00e1 e vir\u00e1 por si mesmo, e acabar\u00e1 fazendo aquilo que lhe \u00e9 mais vantajoso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a regra dos pag\u00e3os, que os caracteriza a cem por cento. Vantagem, vantagem, vantagem, n\u00e3o tem mais nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Deram-lhe, ent\u00e3o, um prazo dentro do qual ele deveria sacrificar aos deuses, sen\u00e3o seria martirizado.<\/p>\n\n\n\n<p>O Santo n\u00e3o se perdeu em v\u00e3s delibera\u00e7\u00f5es, mas se empregou em rezar e louvar a Deus incessantemente.<\/p>\n\n\n\n<p>O louvar \u00e9 um estilo de ora\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 quase mais bonito do que as outras formas de rezar, no caso. Um homem que marcha para o mart\u00edrio horr\u00edvel e que louva a Deus, por Quem ele vai ser martirizado, que louvor bonito! Tem-se a impress\u00e3o de que um Anjo n\u00e3o cantaria melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>Os gladiadores n\u00e3o eram m\u00e1rtires, mas escravos ou pessoas livres de baixa condi\u00e7\u00e3o que lutavam uns com os outros para o p\u00fablico ver. Eles, antes de come\u00e7ar o combate, alinhavam-se diante da tribuna do imperador e diziam a frase: \u201cAve C\u00e6sar, morituri te salutant\u201d \u2013 \u201cAve, C\u00e9sar, aqueles que v\u00e3o morrer te sa\u00fadam\u201d. Depois come\u00e7ava o combate.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o Teodoro dizia isto a Deus: \u201cAve, \u00f3 Deus, aquele que vai morrer Te sa\u00fada. Mas esse que vai morrer sabe que em Ti ele vai viver.\u201d \u00c9 belo!<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, os perseguidores procuraram crist\u00e3os entre os habitantes para serem conduzidos tamb\u00e9m \u00e0 pris\u00e3o. Teodoro os seguia, exortando a serem firmes e fi\u00e9is a Jesus Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quer dizer, o tempo que lhe foi dado para hesitar, ele o empregava rezando ou acompanhando outros ao mart\u00edrio. Era, naturalmente, gente menos importante que ele, a quem os perseguidores n\u00e3o tinham medo de matar. Ele acompanhava os outros ao mart\u00edrio, exortando-os: \u201cSustentem, protestem contra o juiz, sejam firmes at\u00e9 o fim, confessem o nome de Jesus Cristo!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos imaginar a raiva dos que lhe tinham dado prazo, ao verem como ele o empregava. O transporte para o lugar do mart\u00edrio era feito por uma esp\u00e9cie de piquete de soldados que levavam os condenados \u00e0 vista de toda a cidade. Os pag\u00e3os vaiavam os que iam morrer. Do lado de fora do piquete, estava Teodoro, o soldado: \u201cAguentem, dura pouco, a eternidade vem, Deus merece, Jesus Cristo \u00e9 nosso Deus!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em todas as ocasi\u00f5es ele marcava dessa maneira o seu zelo para o servi\u00e7o de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Incendeia um famoso templo pag\u00e3o<br>Agora vem um modo de manifestar o zelo que deixa o Padre Rohrbacher hesitante, mas ele menciona pondo ao lado de S\u00e3o Teodoro uma grande autoridade. Diz o autor:<\/p>\n\n\n\n<p>Havia um templo no meio da cidade, nas margens do rio chamado Ires. Esse templo era dedicado \u00e0 deusa Cibeli, que as f\u00e1bulas chamavam \u201ca m\u00e3e dos deuses\u201d. Teodoro, encontrando a ocasi\u00e3o favor\u00e1vel, p\u00f4s fogo durante a noite no templo, que foi reduzido a cinzas, com os \u00eddolos que nele existiam.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela discuss\u00e3o que vem depois, v\u00ea-se que, entre outras inten\u00e7\u00f5es, estava a de mostrar que os \u00eddolos n\u00e3o valem nada, qualquer um ateava fogo neles. Era, portanto, uma prova de que ele tinha raz\u00e3o, mas tamb\u00e9m um esc\u00e1rnio aos id\u00f3latras.<\/p>\n\n\n\n<p>O que S\u00e3o Greg\u00f3rio de Nissa relata como uma generosidade louv\u00e1vel, se bem que o Conc\u00edlio particular de Euvira pare\u00e7a censurar a\u00e7\u00f5es desse g\u00eanero. Teodoro, apesar disso, n\u00e3o ocultou sua a\u00e7\u00e3o; ele se gabava at\u00e9 publicamente, nas rodas, que era ele quem tinha posto fogo. Pelo que foi denunciado e compareceu perante o tribunal do governador com tal seguran\u00e7a que mais parecia juiz do que acusado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 extraordin\u00e1rio! Com a F\u00e9 resplandecendo na fronte, sendo o juiz de seu juiz, sabendo que ele caminhava para a morte terr\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele reconheceu o fato que lhe era imputado. O juiz lhe perguntou por que ele tinha queimado a deusa do lugar, em vez de ador\u00e1-la. O Santo respondeu que ele tinha acendido uma lenha para p\u00f4r \u00e0 prova a deusa e ver se era combust\u00edvel ou n\u00e3o. E que o fogo a tinha atacado e queimado, porque toda a for\u00e7a dela tinha consistido apenas em mat\u00e9ria e isso se queima.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, ele estava dando um argumento para n\u00e3o adorar: \u201cComo \u00e9 uma deusa, se eu a queimei? O que vale isso?\u201d O juiz fez o que tantas vezes fazem os \u00edmpios, isto \u00e9, quando os bons d\u00e3o um argumento, n\u00e3o contra-argumentam porque n\u00e3o t\u00eam o que dizer. Ent\u00e3o ficam indignados.<\/p>\n\n\n\n<p>O juiz se encolerizou e mandou chicote\u00e1-lo e o amea\u00e7ou de outros supl\u00edcios muito mais rigorosos, se ele n\u00e3o obedecesse \u00e0s ordens dos imperadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Como ele era de uma fam\u00edlia influente, o juiz mandou chicote\u00e1-lo, mas n\u00e3o o condenou \u00e0 morte. Queria ver se ele apostatava, para n\u00e3o ter encrenca com a fam\u00edlia, ou ao menos uma encrenca t\u00e3o pequena quanto poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>O Santo respondeu que os supl\u00edcios mais terr\u00edveis n\u00e3o o fariam obedecer aos homens contra o que Deus mandava, e que a esperan\u00e7a que ele tinha nos bens do C\u00e9u lhe tirava todo o temor dos males que o amea\u00e7avam nesta Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos lados de seu corpo foi rasgado com unhas de ferro<br>O governador, vendo-o insens\u00edvel a essas amea\u00e7as, trata de suborn\u00e1-lo por promessas magn\u00edficas que lhe faziam esperar honras, dignidades e at\u00e9 a qualidade de pont\u00edfice de um desses deuses.<\/p>\n\n\n\n<p>Teodoro escarneceu dessas promessas para voltar \u00e0s suas amea\u00e7as, cujo efeito era muito pr\u00f3ximo; ele assegurou ao juiz, fazendo um sinal da Cruz sobre todo seu corpo, que ainda que o juiz o fizesse derreter no fogo, o cortasse em peda\u00e7os, ele n\u00e3o cessaria de confessar Jesus Cristo at\u00e9 o \u00faltimo alento.<\/p>\n\n\n\n<p>O juiz, renunciando ent\u00e3o a todos os meios de do\u00e7ura, fez colocar o Santo sobre um cavalete. E ordenou lhe rasgassem um dos lados com unhas de ferro, o que foi executado com tanta crueldade que os seus ossos ficaram todos postos a descoberto.<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos imaginar a dor lancinante que uma coisa dessas causa!<\/p>\n\n\n\n<p>Ele nada disse ao juiz, mas cantava: \u201cEu bendirei Deus em todo o tempo, sempre o seu louvor estar\u00e1 na minha boca\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele cantava esse vers\u00edculo de um salmo. \u201cEm todo tempo\u201d quer dizer no tempo bom, mas tamb\u00e9m no tempo ruim. \u201cPor mais que sofra, eu O louvarei!\u201d Se isso n\u00e3o \u00e9 grandeza de alma, n\u00e3o sei o que \u00e9 grandeza de alma!<\/p>\n\n\n\n<p>Luzes pairavam sobre o Santo<br>O juiz, espantado por uma t\u00e3o rara for\u00e7a no sofrimento, disse-lhe:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Tu n\u00e3o tens vergonha, miser\u00e1vel como \u00e9s, de p\u00f4r tua confian\u00e7a neste homem que chamas Cristo, que houve quem fizesse morrer como um infeliz? Tu n\u00e3o tens vergonha de te dispor inconsideradamente aos tormentos e aos supl\u00edcios?<\/p>\n\n\n\n<p>Respondeu Teodoro:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Essa vergonha \u00e9 para mim e para todos os que invocam o nome de Jesus Cristo uma raz\u00e3o de alegria e de gl\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele ent\u00e3o foi exposto \u00e0 tortura e depois mandado para a pris\u00e3o onde Deus manifestou as maravilhas de seu poder a prop\u00f3sito de Teodoro. Porque, segundo conta S\u00e3o Greg\u00f3rio de Nissa, escutou-se durante a noite a voz de uma multid\u00e3o de pessoas e viu-se algo como uma multid\u00e3o de l\u00e2mpadas. O carcereiro, surpreso com esse duplo prod\u00edgio entrou no c\u00e1rcere e n\u00e3o viu outra coisa sen\u00e3o o Santo que descansava placidamente no meio dos prisioneiros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma coisa admir\u00e1vel! Um homem que sofreu essas torturas conseguir dormir! \u00c9 inconceb\u00edvel! Na v\u00e9spera de outras torturas, tranquilamente.<\/p>\n\n\n\n<p>As vozes e luzes pairavam sobre ele e se tornaram not\u00f3rias ao carcereiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O juiz mandou, na manh\u00e3 seguinte, que ele fosse levado de novo para o submeter a outras torturas. E considerando-o invenc\u00edvel em todos os pontos, pronunciou a senten\u00e7a de morte e o condenou a ser queimado vivo, o que foi feito imediatamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Fortaleza sobre-humana dos m\u00e1rtires<br>Termina, assim, a hist\u00f3ria de S\u00e3o Teodoro. Se n\u00e3o fosse o fato de haver uma caudal de epis\u00f3dios semelhantes, ele poderia ser chamado \u201cS\u00e3o Teodoro, o grande\u201d. Mas a quest\u00e3o \u00e9 que o conceito de grande tem dois sentidos: um \u00e9 perante Deus, e nessa acep\u00e7\u00e3o todos os Santos s\u00e3o grandes; outro \u00e9 diante dos homens. Neste sentido, por mais profundo que seja o conceito de grandeza, chamam-se \u201cgrandes\u201d os que s\u00e3o maiores do que os do mesmo g\u00eanero. Ora, os m\u00e1rtires gloriosos s\u00e3o t\u00e3o numerosos que se hesita em dizer que ele \u00e9 maior do que muitos outros. Entretanto, pudemos ver como ele \u00e9 grande!<\/p>\n\n\n\n<p>Consideremos agora a repercuss\u00e3o desses fatos na opini\u00e3o p\u00fablica. N\u00f3s n\u00e3o temos os documentos diretos, tanto mais quanto as fontes pag\u00e3s n\u00e3o tratam do Cristianismo a n\u00e3o ser muito pouco e de passagem. Como ent\u00e3o podemos saber qual \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica? Pela marcha progressiva das convers\u00f5es. Torturas, convers\u00f5es; torturas, convers\u00f5es\u2026 Compreende-se que, diante de um mundo dividido, atos como esses despertavam, no fundo das almas, restos de raz\u00e3o natural naufragados dentro da podrid\u00e3o romana. Junto com esses restos vinha a gra\u00e7a de Deus que dava \u00e0s almas um discernimento, uma apet\u00eancia de bens sobrenaturais que, de si, a natureza humana n\u00e3o tem, despertando por sua luz, por sua for\u00e7a, mesmo nas almas mais p\u00fatridas, \u00edmpetos generosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na luta de s\u00e9culos entre os m\u00e1rtires e seus perseguidores vemos duas coisas espantosas. De um lado a fortaleza sobre-humana dos crist\u00e3os ao suportar tamanhos tormentos. De outro, a crueldade dos algozes.<\/p>\n\n\n\n<p>Causa surpresa ver que instrumentos n\u00e3o cir\u00fargicos, e sim de tortura, manipulados n\u00e3o por m\u00e3os de cirurgi\u00f5es votados ao \u00eaxito da cura e a que doa o menos poss\u00edvel, mas empenhados em maltratar, os quais pegam o ferro quente e p\u00f5em a fundo, regozijando-se quando o paciente geme, e que cortam, recortam e estra\u00e7alham\u2026 Que pessoas dotadas da nossa natureza tenham aguentado coisas dessas \u00e9 um milagre patente! O ser humano n\u00e3o tem for\u00e7as para isso por sua natureza. Ter\u00e1 vigor para ir a um combate, sempre com a esperan\u00e7a de sair ileso, mas caminhar para a tortura dessa maneira o homem n\u00e3o tem for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, os m\u00e1rtires aguentam desafiando e morrem na serenidade de suas almas. Como se pode compreender isso sem o milagre? H\u00e1, pois, um milagre evidente convidando essa gente a se converter.<\/p>\n\n\n\n<p>For\u00e7a de Deus que penetra, embebe e toma conta de tudo<br>Outra coisa que tamb\u00e9m excede a estatura humana \u00e9 a maldade dos homens que ordenam essas execu\u00e7\u00f5es e as praticam. Dir-se-ia que a criatura humana desce abaixo de si mesma quando faz isso. Encontram-se menos raramente homens que realizam isso, mas que multid\u00f5es inteiras o pratiquem \u00e9 inimagin\u00e1vel! Ainda mais multid\u00f5es do maior, mais civilizado, mais culto e mais rico imp\u00e9rio que havia na Terra. Essas multid\u00f5es se entregarem ao prazer de ver o tormento dos outros, essa manifesta\u00e7\u00e3o de sadismo coletivo que d\u00e1 a impress\u00e3o de psicose sem o ser, isso \u00e9 uma coisa tamb\u00e9m inacredit\u00e1vel, dentro da qual se v\u00ea a a\u00e7\u00e3o do dem\u00f4nio combatendo contra a a\u00e7\u00e3o de Deus. Esse \u00e9 um choque maior do que os homens empenhados, de lado a lado, que d\u00e1 toda beleza ao epis\u00f3dio. A pulcritude do epis\u00f3dio vem de um modo relevante, a meu ver, disto: o choque no qual Deus vence e escarnece do dem\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, ao longo de uma tortura dessas, na opini\u00e3o p\u00fablica muitos ficam piores. Entregam-se dessa maneira ao dem\u00f4nio! Alguns ficam melhores. Esses alguns j\u00e1 sabem que, melhorando, v\u00e3o se expor a uma tortura daquelas, e que o caminho deles \u00e9 o que est\u00e3o vendo. N\u00e3o \u00e9 como uma convers\u00e3o de hoje, em que o indiv\u00edduo \u00e9 batizado, o padre felicita, ele vai para sua casa tranquilo; se sua fam\u00edlia \u00e9 cat\u00f3lica ainda faz uma festinha para ele. N\u00e3o \u00e9 isso, n\u00e3o! Naquela \u00e9poca, o convertido sabia: \u201cIsso vai me levar \u00e0queles padecimentos. Minha convers\u00e3o est\u00e1 me pondo na fila dos que v\u00e3o morrer. Est\u00e1 bem, eu entro na fila!\u201d \u00c9 qualquer coisa de admir\u00e1vel!<\/p>\n\n\n\n<p>Poder-se-ia objetar que o efeito disso na opini\u00e3o p\u00fablica \u00e9 nulo. Uma opini\u00e3o p\u00fablica de gozadores e bandidos s\u00f3 pode ser insens\u00edvel a isso, e jamais os cat\u00f3licos deixar\u00e3o de ser uma minoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida, a apar\u00eancia era essa. Os cat\u00f3licos viviam por debaixo da terra. Quando Constantino deu liberdade \u00e0 Igreja e fez um edito mandando fechar os templos pag\u00e3os, n\u00e3o houve protestos e tudo acabou, porque, a bem dizer, n\u00e3o havia mais pag\u00e3os em Roma.<\/p>\n\n\n\n<p>A ilus\u00e3o era de que os pag\u00e3os tinham a popularidade e todo o poder. De fato, existe uma din\u00e2mica do mal \u00e0 maneira de um g\u00e1s venenoso que se dilata e conquista facilmente. Contudo, h\u00e1 uma for\u00e7a de Deus que muitas vezes \u00e9 subterr\u00e2nea, n\u00e3o se percebe, mas que penetra, embebe, toma conta de tudo sem que se tenha ideia. Em determinado momento, quando se vai ver, Ele venceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Sejamos como S\u00e3o Teodoro e vamos para a frente com coragem!<\/p>\n\n\n\n<p>Isso se d\u00e1 com os que, em nossos dias, lutam pela Contra-Revolu\u00e7\u00e3o. Constituem uma minoria a\u00e7oitada por todas as severidades da guerra psicol\u00f3gica revolucion\u00e1ria; acossada com m\u00faltiplas formas de tortura do desd\u00e9m, da ignor\u00e2ncia, da persegui\u00e7\u00e3o dos seus mais pr\u00f3ximos, e dentro da pr\u00f3pria Igreja, de tal maneira que um cat\u00f3lico contrarrevolucion\u00e1rio poderia dizer: \u201cAlienus factus sum in domus matris me\u00e6\u201d \u2013 Tornei-me um estranho na casa de minha m\u00e3e (cf. Sl 69, 9). De tal maneira o contrarrevolucion\u00e1rio \u00e9 insultado, isolado, ejetado de todos os lados. Dir-se-ia: \u201cMinoria sem futuro, condenada eternamente a ser insignificante e para quem n\u00e3o trabalha a vit\u00f3ria.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Sejamos n\u00f3s como \u201cTeodoros\u201d e vamos para a frente com coragem! Qui\u00e7\u00e1 n\u00e3o percebamos, como S\u00e3o Teodoro n\u00e3o notou as convers\u00f5es que ele mesmo ia determinando; mas uma coisa \u00e9 verdadeira: o sofrimento dos que padecem por Nossa Senhora \u00e9 semente de novos crist\u00e3os. Eis a li\u00e7\u00e3o que S\u00e3o Teodoro nos d\u00e1. Rezemos a ele.<\/p>\n\n\n\n<p>fonte: fatima.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Teodoro: um m\u00e1rtir increpador Descendente de uma fam\u00edlia nobre e rica, o jovem Teodoro cheio de garbo desafia o magistrado, proclama a caducidade dos \u00eddolos, a vacuidade do Imperador, a nulidade do Imp\u00e9rio. Foi torturado barbaramente e queimado vivo. Assim como o sangue de Abel, vertido por Caim, clamava a Deus por vingan\u00e7a, o sangue dos m\u00e1rtires implorava a Deus a puni\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, a convers\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano. Proponho que assistamos juntos a um epis\u00f3dio hist\u00f3rico. N\u00e3o \u00e9 um filme de televis\u00e3o, mas a descri\u00e7\u00e3o de um fato digno de ser lembrado na Hist\u00f3ria da Igreja, contado circunstanciadamente n\u00e3o por mim; vou apenas ler a narra\u00e7\u00e3o tirada da obra do Padre Rohrbacher(1). O Imp\u00e9rio Romano deca\u00eda devido \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o moralTrata-se do mart\u00edrio de S\u00e3o Teodoro. Ele foi denunciado como cat\u00f3lico e, convocado por um magistrado qualquer, recusou-se a abjurar a F\u00e9. Foi levado, ent\u00e3o, a um lugar de supl\u00edcio onde ele poderia, a qualquer momento, fazer cessar os seus tormentos desde que se dispusesse a renunciar a F\u00e9. Aguentou esses tormentos crudel\u00edssimos at\u00e9 a morte. \u00c9 um m\u00e1rtir. Uma nota particularmente interessante nesse mart\u00edrio \u00e9 que o juiz e ele travam uma verdadeira batalha psicol\u00f3gica, na qual o magistrado procura de todos os modos amolec\u00ea-lo para evitar martiriz\u00e1-lo. S\u00e3o Teodoro resiste, desafiando o juiz cada vez mais. O fato foi not\u00f3rio, conhecido e presenciado por muita gente. N\u00f3s devemos nos perguntar qual \u00e9 o efeito disso sobre a opini\u00e3o p\u00fablica correspondente ao Imp\u00e9rio Romano que abrangeu toda a bacia do Mediterr\u00e2neo. Os romanos se estendiam n\u00e3o s\u00f3 pelo litoral, mas eram senhores das na\u00e7\u00f5es ribeirinhas do Mediterr\u00e2neo. Aprofundando-se, portanto, longamente pelo territ\u00f3rio da \u00c1frica, \u00c1sia, Europa, e constituindo, portanto, uma unidade impressionante. Esse Imp\u00e9rio, pela imensa extens\u00e3o e pela dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o naquele tempo, fragmentou-se em dois: o do Oriente e o do Ocidente. Mas entendia-se que formava um s\u00f3 todo moral e at\u00e9 mesmo pol\u00edtico, e que os imperadores, sem serem irm\u00e3os pelo sangue, o eram pela miss\u00e3o e deveriam governar em m\u00fatua colabora\u00e7\u00e3o, cada qual a sua parte do Imp\u00e9rio. Uma unidade, portanto, enorme, majestosa. O Imp\u00e9rio Romano foi monumental e riqu\u00edssimo, mas tamb\u00e9m corrupt\u00edssimo. \u00c0 medida que se desenrolava sua hist\u00f3ria, seu poder e sua riqueza foram crescendo, por\u00e9m foi se dissolvendo moralmente e terminou na corrup\u00e7\u00e3o moral mais espantosa, acumulando dois aspectos diferentes. De um lado, os romanos propriamente ditos, n\u00e3o s\u00f3 os habitantes de Roma, mas da It\u00e1lia, que constitu\u00edam o n\u00facleo do Imp\u00e9rio. Estes sentiam-se muito seguros e est\u00e1veis em fun\u00e7\u00e3o do poder e da riqueza que possu\u00edam, e pelo fato de que os inimigos estavam longe, em fronteiras que dificilmente seriam transpostas por eles; e se as transpusessem seriam contidos com facilidade pelas legi\u00f5es romanas. Al\u00e9m da prosperidade e da seguran\u00e7a por verem o perigo bem longe, contribu\u00eda para a dissolu\u00e7\u00e3o dos costumes o fato de que a religi\u00e3o dos romanos n\u00e3o dava o m\u00ednimo fundamento para uma atitude moralizada. Resultado: o Imp\u00e9rio foi se corrompendo at\u00e9 chegar a toda esp\u00e9cie de imoralidade e deteriora\u00e7\u00e3o. A Religi\u00e3o Cat\u00f3lica se desenvolviaAo lado dessa deprava\u00e7\u00e3o generalizada havia a Religi\u00e3o Cat\u00f3lica que, do fundo das catacumbas, nascia e se desenvolvia, apresentando-lhes o oposto. Vemos, ent\u00e3o, o jovem Teodoro, nascido na Gr\u00e9cia, de uma fam\u00edlia nobre e rica, julgado por um juiz daquela regi\u00e3o, o qual estava, portanto, sob a influ\u00eancia dessa fam\u00edlia. Esse jovem cheio de garbo desafia o magistrado e proclama a caducidade dos \u00eddolos, a vacuidade do Imperador, a nulidade do Imp\u00e9rio, com uma for\u00e7a que vai crescendo \u00e0 medida que o juiz oferece mais. D\u00e1-se, ent\u00e3o, um debate entre o juiz \u2013 que visa despertar no jovem o desejo pela vida c\u00f4moda e agrad\u00e1vel, sem o conseguir \u2013 e S\u00e3o Teodoro, que procura comunicar a F\u00e9 Cat\u00f3lica proclamando as virtudes crist\u00e3s e o nome de Jesus Cristo, levando as verdades da F\u00e9 t\u00e3o alto quanto se pode levar um estandarte; e o juiz recusando tamb\u00e9m. A recusa de ambas as partes resulta em choque, que culmina com a morte do jovem Teodoro. Dir-se-ia que o fato est\u00e1 encerrado. Ora, a hist\u00f3ria come\u00e7a a\u00ed. No C\u00e9u h\u00e1 um m\u00e1rtir rezando, enquanto na Terra os frutos de seu sangue se difundem. Tertuliano disse aquela famosa frase: \u201cO sangue dos m\u00e1rtires \u00e9 semente de crist\u00e3os.\u201d Assim como o sangue de Abel, vertido por Caim, clamava a Deus por vingan\u00e7a, o sangue dos m\u00e1rtires implorava a Deus pela puni\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, pela convers\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano. E o sangue de S\u00e3o Teodoro passou a clamar. Houve uma opini\u00e3o p\u00fablica que em parte presenciou, em parte tomou conhecimento desse mart\u00edrio. Que atitude ter\u00e3o tomado aquelas pessoas diante dos di\u00e1logos impressionantes que vamos ler? Imaginem aqueles romanos que faziam festa quase todas as noites, comendo e bebendo durante horas, chegando ao extremo horror de provocar-se n\u00e1usea, pela a\u00e7\u00e3o de escravos que vinham com penas de pato co\u00e7ar o paladar, para lan\u00e7ar fora o que haviam ingerido e, esvaziando assim o est\u00f4mago, poderem continuar a beber e a comer. Podemos nos perguntar qual o efeito produzido nessa opini\u00e3o p\u00fablica pelo di\u00e1logo entre S\u00e3o Teodoro e seus algozes. S\u00e3o Teodoro proclama a sua F\u00e9 e investe contra o inimigo de CristoPassemos \u00e0 leitura e coment\u00e1rio da referida ficha. A persegui\u00e7\u00e3o se deu pouco depois de que os Imperadores Gal\u00e9rio e Maximino publicaram seus editos, que mandavam continuar as persegui\u00e7\u00f5es aos cat\u00f3licos, ordenadas por Diocleciano. Diocleciano ordenou uma das piores e mais longas persegui\u00e7\u00f5es. O jovem soldado, muito longe de dissimular a sua F\u00e9, a trazia como que escrita sobre a fronte. Imaginemos, ent\u00e3o, um legion\u00e1rio romano com aquela armadura e elmo caracter\u00edsticos, e que trazia sobre a fronte como que escrita a F\u00e9 em Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo visto por um folgaz\u00e3o que se embriagou na v\u00e9spera e se embriagar\u00e1 naquela noite, e que para encher tempo vai assistir ao mart\u00edrio e olha para aquilo aviltado e com o olhar emba\u00e7ado pelo \u00e1lcool. Teodoro foi apresentado ao Tribuno da Legi\u00e3o e ao Governador<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4401,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[66],"tags":[67],"class_list":["post-4419","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-santos-do-dia","tag-santododia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pscjslz.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4419","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pscjslz.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pscjslz.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pscjslz.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pscjslz.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4419"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pscjslz.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4419\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4420,"href":"https:\/\/pscjslz.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4419\/revisions\/4420"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pscjslz.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4401"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pscjslz.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4419"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pscjslz.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4419"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pscjslz.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4419"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}